Pensando a Literatura

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Experienciar a boa literatura tão somente virá com a sedução da palavra, como somente desenvolverá essa técnica através de muita prática.

Estética é um termo correspondente a reflexão do que é beleza e do fenômeno artístico em si. Ou ainda, a harmonia entre formas, cores, ou em nosso caso, palavras. Dessa forma, inicialmente proponho o pensamento: o que torna bela a prosa de um escritor?

É subjetivo. Pode-se considerar belo a poesia das palavras, a melodia das frases e ou a realidade dos diálogos. Contudo, tratando-se de literatura no sentido de contar uma história, essa beleza está contida principalmente na forma da escrita.

Estou dizendo: uma boa história, de fato, é muito importante, mas quantos escritores contam causos simples, ao mesmo passo que conseguem nos cativar e prender. Trata-se da forma como pensam o texto. Não é simplesmente escrever de qualquer forma, não é só dizer. Pensar na estrutura, em como cada palavra se encaixa naquele contexto, e mostrar mais.

Escritores muitas vezes destacam-se por fazer algo diferente, como fez, por exemplo, George R. R. Martin, repensando a forma como escrever a fantasia de medieval. Ou citando exemplos mais próximos, André Vianco, trazendo a mitologia vampírica para a realidade brasileira, criando personagens com nossas características. E ainda outros milhares de escritores, sempre pensando como inovar para contar uma história.

E quantas vezes, nós, escritores, não paramos para pensar: o que me tornará diferente? Qual vai ser minha marca? Em que posso revolucionar?

O simples ato de pensar acerca disso já pode ser muito poderoso. Por exemplo: Machado de Assis, muito provavelmente, pensou muito sobre como age o ser humano antes de escrever o conto A Igreja do Diabo, e subverter os conceitos cristãos construídos culturalmente.

Basta se dar o trabalho de pensar sobre sua história. Certa feita, enquanto ouvia um podcast sobre escrita, ouvir alguns questionamentos sobre isso. Um estalo me veio, após pensar: posso fazer algo diferente de tudo que já li? Concluí: posso, é claro que posso. E escrevi um pequeno conto narrado em 2° Pessoa. Muitas vezes só precisar pensar um pouco fora da caixa, uma vez, para pensar fora da caixa se tornar algo comum.

Pensar sobre como narrar, descrever, criar diálogos… Ou simplesmente, que palavra usar, quantas linhas por parágrafo, travessão ou aspas… Isso pode mudar muito, apesar de não parecer.

Pare por um segundo, pense no seu autor favorito. O que o faz ser seu autor favorito? Meu autor favorito, por exemplo, se destaca para mim, exatamente por pensar sua literatura como arte, por consequência pensar em como realizar.

Só para citar, seu nome é Ivan Mizanzuk, autor do livro Até o Fim da Queda. Onde constrói uma trama quase como um quebra-cabeça. Com vários materiais diferentes (matérias de jornais, gravações de áudio, cartas, poesia, uma entrevista), ele desenvolve uma narrativa perigosamente misteriosa e diferente da literatura comum. Nesse ponto, ele inovou muito em estrutura, porém, podemos inovar em muitas coisas.

Trazendo um ponto final a isto, digo: o que não nos falta é opções de como inovar. Ser criativo para além das histórias é o papel de um bom escritor. Ter uma trama intrigante, assustadora, misteriosa, seja lá que adjetivo for (odeio adjetivar as coisas), não é suficiente. Definitivamente não é. Pense em algo mais. Às vezes basta repensar as palavras ou a forma de narrar, outras toda forma de construir a narrativa, em todos seus meandros. O mais importante, é se pensar a escrita para além do mundo comum, realizando assim, coisas diferentes.

 

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